quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

quase (me) virando

parti um segundo antes de acordar, e atravessei todos os que vieram a seguir
administrei distâncias e aproximações com falta de talento espetacular
plantei mais do que colhi,  mas esperava metade do que recebi
perdi a faculdade de dormir, mas mantive a capacidade de sonhar
falei muito menos do que penso, mas essa lição acho que aprendi
encontrei abraços amigos quando os caminhos eram de chorar
perdi tanta vontade que achei que ela tinha se cansado de mim
mas chego ao fim desses dias entre o ano-novo e o novo natal acreditando que agora vai.

sábado, 24 de novembro de 2012

desato

não foi falta de tentar
mas não sei desatar o nó
sem desfazer o laço
(as pontas soltas não me assombram)

o remédio é aceitar
tamanha falta de jeito
e viver o desembaraço
(nunca fui de fitas e babados mesmo)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

inconfesso


você chega
os cílios batem forte
as narinas imóveis
eu sem ar
você nem nota
ou finge que não

paralisada
espero
que você estenda a mão
me busque me pegue me alise me afague me aperte
me envolva
com seus braços
com seus beijos
suas pálpebras
seus ombros
meus, quem dera

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

doze do nove


(para nine e clarisse)

em meio ao ar duro e pesado
desponta entre galhos torcidos
acalma os olhos ardidos
desafia o horizonte torrado

o improvável ipê amarelo
trava com a seca um duelo
explode na cara da gente
e nos lembra de olhar pra frente






quarta-feira, 29 de agosto de 2012

tumara, meu deus, tumara

a secura do cerrado
aboba feito rojão
passou um avião
pensei que era trovoado

sonha, nana,
com um chuvisco no molhado

domingo, 29 de julho de 2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012

quarta-feira, 16 de maio de 2012

há momentos

(para nayara)

tem hora em que tudo
o que a gente quer é sossego
mesmo assim, a vida insiste
e enche nossos caminhos de cor

o jeito é aproveitar

sexta-feira, 27 de abril de 2012

fly, you fools

persistência tem de ter fim
pra não virar cabeça-dura ou burrice
mas a vida não me ensinou assim
nem assim ninguém me disse

sábado, 14 de abril de 2012

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

asas

estou eu cuidando das minhas flores
no nublado do meio-dia
quando uma imensa borboleta azul
voando, volteando,
passa suave por mim

ria, boba.
veja como eu, com uma vida tão curta,
rebolo
revoo
aproveito

pensei que se eu deixasse
matar as lagartas do meu jardim
a bela visitante não teria aparecido
aparentemente, acerto
ao menos às vezes

decidi
não sofro mais com a aspereza humana
posso fazer como a breve borboleta
e assistir a tudo do alto, de longe
de onde as coisas pequenas são pequenas

devagar alongo minhas asas
renasci


domingo, 15 de janeiro de 2012

modus faciendi

a mentira é o modelo
de falsa aceitação
e falsa hospitalidade
a mentira é o modo
de fingir que tudo vai bem
até que os fatos o desmintam
a mentira é uma merda